terça-feira, 27 de maio de 2014

Poderoso,MAGNÉSIO!!

Cerca de 60% do magnésio está nos ossos e 29% do magnésio está nos músculos. Apenas em torno de 1% está no tecido extracelular. Em face do magnésio sérico não representar 1% do magnésio total do organismo, a normalidade do magnésio no exame do soro pode coexistir com acentuado déficit de magnésio no organismo e não é o exame ideal para a avaliação clínica.
Cerca de 30% do magnésio do sangue está ligado a proteína e o restante constituem uma forma ionizada, que
aparentemente exerce a função biológica. Como a concentração maior de magnésio é intracelular, uma das formas de análise é o teor nas hemácias, que varia de 4,4 a 6 meq/L.
A dieta ocidental é pobre em magnésio. Nos Estados Unidos o consumo de magnésio é de 240mg a 480mg/dia, 32 sendo que no Brasil a ingestão é mais deficiente segundo Velloso. A alta ingestão de alimentos refinados, a alta ingestão de gorduras e o excesso de sal e açúcar na alimentação, além de bebidas alcoólicas e principalmente refrigerantes do tipo cola, reduzem a absorção de magnésio.
O problema do solo brasileiro, pobre em magnésio, dificilmente poderá ser corrigido de forma adequada, de modo que os alimentos, tanto de origem vegetal, como animal, apresentam uma deficiência básica de magnésio.
O ideal seria que a água mineral contivesse pelo menos 25mg/litro de magnésio, sendo que alguns autores defendem a concentração de 100mg/Litro de magnésio em regiões muito deficientes, como o Brasil. Nenhuma fonte de água mineral no Brasil apresenta sequer a concentração mínima de magnésio recomendada de 25mg/litro em função da composição geológica do solo brasileiro.
O homem paleolítico consumia cerca de 800 a 1500mg/dia de magnésio. A alta ingestão de magnésio correspondia à quantidade equivalente de cálcio cuja relação era de 1 cálcio para 1 magnésio.
O homem contemporâneo absorve de 5 a 15 vezes mais cálcio que magnésio, o que resulta em sérios problemas de saúde.
Outro agravante é a relação sódio potássio. Enquanto o homem paleolítico ingeria 5x mais potássio que sódio, o homem contemporâneo ingere 5x mais sódio que potássio. É sabido que o homem paleolítico não sofria de muitas doenças degenerativas, que são o flagelo do homem contemporâneo.
Segundo publicação da Organização Mundial de Saúde de 2009 baixos níveis de magnésio estão associados à disfunção endotelial, aumento de reações vasculares, aumento da Proteína C Reativa e diminuição da sensibilidade à insulina. A deficiência crônica de magnésio está associada à hipertensão, doença coronariana, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
Revisando a Fisiologia dos Minerais no Guyton & Hall (2011), apesar de semelhantes nas suas propriedades químicas, o Mg++ e o Ca++ tem funções biológicas opostas, que se completam. O cálcio se situa no exterior celular, ao passo que o magnésio está predominantemente localizado no interior. O cálcio excita os nervos, enquanto o magnésio acalma a tensão nervosa. O cálcio junto com o potássio promove a contração muscular, enquanto o magnésio relaxa e descontrai a musculatura.
O cálcio é fundamental para o processo de coagulação sanguínea, enquanto o magnésio previne a coagulação intravascular, que pode representar um alto risco para o organismo. O Cálcio é mais abundante no tecido ósseo, ao qual confere a dureza característica, ao passo que o magnésio se localiza nos tecidos moles. Entretanto, a matriz óssea encontrada no interior dos ossos contém proteína e magnésio, que proporciona aos ossos flexibilidade e resistência à fraturas.
A concentração do íon magnésio no interior celular é 10.000 vezes maior que a do íon cálcio em condições normais. Quando há queda de magnésio no interior a célula, os íons de cálcio penetram no interior celular provocando sérios distúrbios. Um sério abalo no meio intracelular pode ocorrer quando o teor de cálcio aumenta e desencadeia uma reação, que põe a célula em estado de excessiva excitação.
A recomendação de cálcio para mulheres acima de 40 anos falha em um ponto crucial. Altos níveis de cálcio podem tornar os ossos mais frágeis e a ingestão de cálcio sem magnésio pode levar à deficiência adicional de magnésio.
Para gerar contração muscular, o cálcio que se localiza fora da célula (espaço extracelular), precisa entrar na célula através dos canais de cálcio. Após o cálcio precisa ser imediatamente removido, sob a pena de sérias alterações, tanto da função como da integridade celular. A remoção do cálcio é magnésio dependente. O excesso de cálcio no interior das células da musculatura lisa da coronária pode gerar dor torácica, na artéria temporal superficial gera enxaqueca, no canal do colédoco, cólica biliar, no ureter, cólica renal e na musculatura lisa dos brônquios, asma. Para isto a indústria produziu vários antagonistas do canal de cálcio. Esqueceram que o magnésio é o antagonista natural do cálcio.
A deficiência de magnésio também pode causar distúrbios do ritmo cardíaco, alguns tipos de arritmias.
Schechter em 1999 comprovou que a suplementação com magnésio inibiu trombose plaqueta dependente.36 A longo prazo, com excesso de cálcio as artérias enrijecem e desenvolvem a formação de placas em virtude do aumento de LDL. Isto acelera o dano do endotélio e pode formar trombo ou coágulo o que leva a infarto ou AVC.
Quando o magnésio está com bons níveis intracelulares:
- tem ação antioxidante, protege as moléculas dos radicais livres.
- ao nível enzimático há suficiente produção de ATP.
- no nível celular o balanço eletrolítico é mantido, com os ajustes dos íons cálcio, sódio, potássio e magnésio dentro dos parâmetros normais, sem haver calcinose (excesso de cálcio).
- no nível tissular: o sangue flui sem obstáculos e sem tendência à formação de coágulos.
- No nível orgânico: o magnésio promove o bombeamento do sangue, de forma contínua e regular, alternando a sístole e a diástole sem palpitações ou arritmias.

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